Depois de tanto tempo, ele a encontra. Ela, com um sorriso no rosto, um olhar meio preocupado, mas totalmente feliz. Pegava o dinheiro, pagava o motorista, sentou no banco da frente. Linda e com seus longos cabelos loiros, ela estava exatamente como ele a havia deixado. Mas o tempo passou. Dois anos sem falar com ela, sem saber dela, sem ouvir a voz dela, sem sentir o cheiro dela. Porém, naquele momento, parece que havia voltado dois anos… Ele toma coragem, senta ao lado dela. Ele diz o “oi” mais tímido da face da terra. Quem diria ! A pessoa mais extrovertida que ela conhecia, agora estava absolutamente calado ! Mas isso era o típico sinal que ela ainda mexe com ele. Ela responde com um largo sorriso. “Oi também, como você tá?” ela diz. Ele fica com medo de responder. Diz que está bem, mas lá no fundo não está nada bem. Desde que deixou ela ir, ele só soube sair por aí, beber alguns drinks, conhecer umas meninas, essas coisas. Mas isso não importava naquele momento. O que realmente o chamava a atenção era a quantidade de livros que ela carregava. “Tô fazendo faculdade de engenharia, não é demais?” ela fala com toda a alegria. Ele sorri pra ela. E, quando o papo vai fluindo, surge aquela pergunta mais indelicada. “Tá namorando?” , ela pergunta. “Sim, estou namorando com a Flávia.”. Pronto. Foi o suficiente para ela passar do estágio feliz para o estágio “ciúmes”. Mas ciúmes de que? Afinal , ele não tinha mais nenhum compromisso com ela ! O que isso significa então? Ela ainda gosta de mim? Será que eu ainda tenho uma chance? Mesmo com o coração disparado, ele pergunta se ela também está namorando. “Não. Desde que terminamos, não fiquei nem namorei com ninguém.”. Essa resposta partiu o coração dele. Mas, depois de preparar todo um discurso consolador, ela se levanta. Esse já era o ponto dela. Ela tinha que ir. Tinha que estudar. Ela olha pra trás e dá um leve tchau. E ele a vê partindo, novamente. Ele sabia que ela não voltaria mais.
